sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CONT. CARANGUEJOS

Quanto meu expediente acabou liguei de novo para saber noticias, o que me deixou espantada foi à rapidez para atender ao telefone, meu pai falou que a mãe estava falando coisa com coisa, estava falando que não queria comer caranguejos e não era para ele trazer isso, pois ela não comia. Sério, na hora eu dei risada. Caranguejos de onde ela tirou isso, logo a mãe que é tão lucida falando estas coisas, não fez muito sentido na minha cabeça.

Quando cheguei lá ela estava deitada no sofá e o pai estava falando que iria leva-la ao médio... Ela não estava nada bem.  Sentei no chão e comecei a conversar com ela, perguntei se ela tinha tomado mais que um tipo de remédio, ela disse que não, falou que tinha tomado só os que eu tinha deixado separado, fui correndo na cozinha verificar se o erro tinha sido meu... Não, estava tudo certo... Então o que deve ter acontecido? Voltei para perto dela e continuei conversando... Mãe o que a senhora esta sentindo? “uma... coisa... estranha... na... minha... barriga.” “e... ...  minha... mão... fica assim”, ela me mostrou uma mão tremula, estava falando enrolado também, olhei para o pai e concordei com ele, ela deveria ir para um hospital e urgente. Agora tínhamos que convence-la a ir, pois não gostava de ir ao hospital, pois era longe e a cada lombada e  buracos faziam sua barriga doer e ela sempre gemia de tanta dor, e quando chegava lá tinha que ficar esperando horas para ser atendida, preferia muitas vezes ficar remoendo a dor em casa deitada. Só que agora não poderia dar nenhum remédio para ela, pois não sabíamos o que realmente ela tinha, depois de algumas conversas ela resolveu ir.

No hospital eu entrei junto com ela para falar com o médico, ela teve que ficar em uma cadeira de rodas, pois mal conseguia dar alguns passos sozinha, suas pernas estavam bem inchadas e sua barriga já demonstrava uma ascite bem grande, todo esse peso em cima de uma estrutura fraca e fragilizada não dava para suportar.

O médico perguntou o que ela estava sentindo, ela tentou falar mais parecia que a voz não vinha. Falei por ela. Quanto ela conseguiu falar disse para o médico que ela achava que estava assim pela falta da tia Bebel que tinha ido embora a menos de 32 horas, o médico falou que poderia ser também, mais o que estava preocupando eles era a tremedeira e a conversa enrolada, ele disse que era sinal de desidratação, como uma pessoa com tanta agua no corpo poderia ficar desidratada? Tinha agua na barriga e nas pernas de monte, mas mesmo assim olhei para ele e concordei, fizeram vários testes com ela, depois resolveram fazer uma paracentese, é um procedimento que da um pouco de alívio, eles aplicam anestesia no local onde irá perfurar na barriga e depois colocam uma agulha grossa para fazer uma punção e tirar o líquido, o líquido sai por uma mangueira e cai em um balde, na primeira vez foram 5 litros retirados. Não é uma visão legal, ainda mais com sua mãe...

Ficamos no hospital por horas, pois cada procedimento era uma demora sem fim, quando saímos já estava quase amanhecendo...

Voltamos para casa e os caranguejos não mais perturbaram a sua mente. Tínhamos esperanças de melhoras, pois a barriga e até a perna dela tinha diminuído, pensávamos que não iria voltar a ficar como antes, santa ingenuidade...

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