domingo, 28 de agosto de 2011

MÉDICO MESMO???

   

Em uma das nossas idas ao médico para levar a mãe aconteceu assim...

         Estávamos todos na casa da mãe não lembro se era sábado ou domingo.  Naquele dia as dores dela estavam aumentado a cada hora, só conseguíamos perceber, pois ela começou a pedir remédio, ela nunca tomava remédio para qualquer dor só quando não aguentava mas, outro sinal que deixava a gente preocupados era ela começar a alisar a barriga. Nesta época a barriga dela tinha um tamanho de uma mulher gravida de 6 a 7 meses.

         Resolvemos enfrentar o hospital não estávamos mais aguentando ver seu sofrimento em casa. Sempre o caminho para o hospital parecia mais longo do que o normal, ela nunca reclamava só gemia. O Diogo corria mais que tudo.

         --- Não precisa correr assim --- falava a mãe.

         --- Como não dona Marta --- É claro que ninguém naquelas horas sabendo das dores que ela estava suportando não iria ouvi-la. O Diogo corria bastante.

         Chegamos ao hospital e pegamos uma senha para fazer a ficha, isso demorou aproximadamente uma hora, estávamos muito impacientes com a demora, mas quem conhece um hospital público sabe que reclamar nem sempre é a melhor opção. Chegou à hora de fazer a ficha, o processo foi rápido, pois não era a primeira vez dela no hospital, seus dados estavam todos gravados.

         Como ela não era idosa não poderia entrar acompanhante, mas mesmo assim nós sempre achávamos um jeitinho para entrar. Demorou mais 2 horas para ela ser chamada para entrar, não pense que entrando naquela porta o atendimento seria rápido, o processo era assim, ela iria aguardar para passar por um médico que era clínico geral, ele iria pedir alguns exames e depois encaminha-la para o médico que correspondia com a doença. OK... Quanto tempo você acha que demorou a metade deste processo???? Até fazer os exames e sair os resultados demorou aproximadamente 6 horas, ela ficou sentada lá dentro em cadeiras duras por todo esse tempo, a gente revezava para vê-la, só que dava mais agonia, pois não podíamos fazer nada para acelerar o processo, ela tinha almoçado bem pouquinho em casa, e já tinha passado mais de 9 horas dentro do hospital, os médicos estavam alheio a tudo isso, estava alheio a todo sofrimento que ela passava, nem remédio passou para ela, nenhum remédio de dor, nem comida tinha para oferecer, pois na emergência não se serve comida, só em caso de internação, o jeito era suportar. Tentamos fazer “contrabando” de comida para ela, mas quem disse que ela comia sem o médico falar que podia.

         O pai já tinha entrado e ficado algumas horas lá dentro, eu também tinha ficado por horas com ela sentadas naqueles bancos duros, eu que não estava com toda aquela barriga já tinha ficado com dores nas costas imagina ela. O último a entrar foi o Diogo ainda bem, pois ele entrou para resolver a situação que estava lamentável.

         Ele já entrou bravo pelas portas adentro, nunca tinha visto ele assim, até o guarda não reclamou com ele, coisa que ficava resmungando comigo. Não demorou muito e ouvimos a voz dele lá de fora, olhei para o pai e para tia Bebel e falei:

         --- É o Diogo??

--- É sim. - responderam. 

Corremos para a porta para tentar ver o que estava acontecendo lá dentro, o que vimos foi à mãe andando até nós.

--- O que esta acontecendo mãe???

--- O Diogo entrou lá dentro para falar com o Médico e perguntar por que eu não saio logo daqui.

---Nossa eu ouvi a voz dele daqui. O que o médico disse?

---Que esta esperando um Neurocirurgião analisar meus exames para eu poder ser liberada.

--- Desde quando era para ser feito isso???

--- Desde a hora que saiu os resultados dos exames.

--- Isso há 8 horas?? Fala sério, o Diogo tem mesmo que ir lá e reclamar. E agora onde ele foi??

--- Foi atrás do Neurocirurgião. Uma enfermeira que estava aqui desde quando nós chegamos falou para ele que os médicos ficam para lá.

Ela apontou para um lugar onde nós nunca tínhamos ido, era onde as pessoas com ferimento de bala eram operadas.

---Nossa daqui a pouco o Diogo vai ser trazido de lá pelos guardas. Vai sentar mãe, logo você vai embora.

Olhei para o relógio e percebi que desde a hora que colocamos o pé dentro do hospital já tinha passado mais de 12 horas, já era madrugada.

O Diogo achou os médicos que a mãe precisava. Ele entrou na sala de cirurgia e perguntou quem poderia liberar a mãe, pois já estávamos esperando a mais de 12 horas no hospital. Eles falaram que estavam ocupados, perguntou se ele não estava vendo. Eles não deveriam ter falado isso para uma pessoa que já tinha perdido a cabeça com o outro médico; Foi o estopim; Correndo risco de acontecer qualquer coisa, por exemplo, de ser preso, falou que não era preciso dois médicos para tirar uma bala da perna de um cara, o que estava precisando ali eram enfermeiros, sendo assim um médico poderia atender minha mãe. Não sei o que aconteceu, pois o médico não falou nada, desceu e foi resolver o nosso problema. Depois de todo esse escarcéu no hospital a mãe conseguiu sair pior do que ela entrou, pois nenhum deles deu remédio para ela. A única coisa que esse último médico falou foi que não adiantaria mais a gente levar a mãe para esse hospital, pois eles não poderiam fazer nada por ela lá.

O jeito foi tomar remédio para dor que tínhamos em casa e depois de descansar em casa um pouco voltar à busca de algum médico que poderia nos ajudar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário