domingo, 4 de setembro de 2011

ÁGUAS DE SÃO PEDRO I



--- Mãe... Assisti uma reportagem na TV onde falava que as Águas de São Pedro tem poder medicinal. E fica perto de vocês não é??? --- Disse meu primo por telefone para minha tia Bebel, nesta época minha tia estava cuidando da mãe, a tia se dedicou mais que um ano cuidando dela;

--- As Águas de São Pedro fica perto daqui Marta???

--- Fica uns... Docinho (eram uns dos apelidos carinhosos que a mãe dera para meu Pai e vice versa) quantos quilômetros tem daqui até Águas de São Pedro???

--- Uns 100 km --- Disse o Pai.

--- Porque Bebel??? --- Perguntou a mãe.

--- O Wanderson esta falando aqui que assistiu uma reportagem onde fala do poder das águas medicinais de São Pedro, ele disse que já foram constatados varias curas para diversas doenças.

O interesse em assistir a reportagem foi grande, não só isso, como meu pai não sabia chegar até a cidade, ligaram para o José Antônio e a Tereza, casal que sempre estava disposto nos ajudar. Mesmo sem conhecer a cidade eles saberiam chegar lá.

Procurarão o vídeo pela internet para conhecer a clínica que a reportagem falava, pegaram o nome e endereço e sem esperar para amanhã marcou a data para ir conhecer, e talvez encontrar a cura.

Sua vontade e coragem de viver foram o que deram forças para enfrentar mais de 100 km, nesta época já não saia muito de casa, pois a barriga tinha tomado proporção muito maior que seu corpo poderia suportar. Seu estado físico estava lamentável. Dores constantes e fadiga por carregar uma barriga desproporcional ao resto de seu corpo que estava muito frágil e quase sem musculatura e tecido adiposo. Era pele, osso e barriga.

Viajaram para a cidade e acharam a clínica da reportagem... Mas o Médico não estava lá. O dia que eles tinham decidido ir à busca da “Água Milagrosa” era domingo, neste dia o Médico não atendia ele estava na clínica só no sábado. E agora???  Voltar como chegaram??? Seria uma desilusão para qualquer pessoa, mas não para a mãe. Antes de voltar ela mais a Tia foi apresar quanto custava por dia para ficar na cidade. Se fosse preciso até mudariam para lá. Foi com esses pensamentos de voltar no sábado e se o Médico receitasse um tratamento de meses ela mudaria para a cidade.

Voltou contando como a cidade era linda e o que a Clínica tinha. E da próxima vez eu também iria com ela.

Tudo que ela passava nesta época era com intensidade. Suas emoções estavam à flor da pele. Ao descobrir que poderia encontrar a cura nas águas, foi à esperança que ela estava precisando nesta reta final. Seus olhos brilhavam quando falava sobre o assunto, os tios já tinham ido embora quando ela chegou a ir para Águas de São Pedro, então ligou para meus tios, contou tudo e disse que iria voltar para ver o médico.

O REENCONTRO


        Com tudo que estava acontecendo, com tantas idas e vindas do hospital, meus tios e tias (irmãos da mãe), ficaram com o coração apertado e decidiram que teriam que vir visita-la urgentemente, as notícias que estavam chegando para eles não eram boas.

        Decidiram que todas sem exceções teriam que vir, mas uma viagem rápida tinha que ser de avião, pois de ônibus demoraria 3 dias para eles chegarem, e não tínhamos certeza se eles teriam esse tempo. O jeito foi meus dois Tios bancarem a viagem (Marcos e Moacir). A única das irmãs que estava aqui era tia Bebel.

        Quando embarcaram e nós ficamos sabendo a mãe ficou feliz, acredito que também aconteceu uma mistura de emoções em seu coração, pois isso tudo era inédito, irmão que fazia anos que não via estava a caminho. Ela sabia que sua vida estava por um fio, e todos estava vindo para vê-la pela última vez.

        Chegaram de manhã, naquele dia o sol brilhava forte... Olhar para aqueles rostos novamente depois de tanto tempo foi muito bom, não só para mim; a mãe começou a chorar, foram poucas as vezes que eu vi isso acontecer. O reencontro trouxe alegria, seu sorriso ficou exposto por todo o dia.

        Diferentes da gente que estava vendo todos bem de saúde, eles se espantaram com a imagem que viram da mãe. Alguns não conseguiram olha-la fixamente de imediato, foram buscar refúgio em outro ambiente da casa. Os encontrei com os olhos vermelhos e lagrimas escorrendo em suas bochechas.

        Estava tão feliz por revê-los assim como a mãe que tinha esquecido que a imagem que eles tinham na mente dela era de uma pessoa de 1,64m pesando seus 65 kg. Naquela época ela estava pesando 55 kg. Esse peso estava praticamente concentrado na barriga e nos ossos que ela carregava.

        Os tios e tias ficaram com ela mais ou menos duas semanas.