sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dia 15 de OUTUBRO de 2010


Amanhã faz um ano mãe... Um ano que você se foi...

Ela foi para o hospital no começo da semana dia 11 de outubro, muito mal, foi atendida na urgência, não conseguimos transferi-la para a internação nos leitos da gastroclínica. Estavam todos cheios, o jeito era esperar uma vaga surgir.
Os sintomas eram  terríveis, ela descrevia que era uma dor aguda no estômago (ela estava com câncer de estômago, foi descoberto no estagio final, ela fazia exames de 6 em 6 meses, mas não conseguiram identificar a neoplasia), ela vomitava tudo, no dia 12 ela começou a vomitar uma coisa preta, era horrível ver essa cena, pois ela estava sem força, a barriga enorme, ela tentava sentar com a nossa ajuda (minha e da tia Bebel) e segurava a barriga e gemia para tentar vomitar o que não tinha no estômago, ela já não comia, estava a base de soro. Os remédios não estavam tirando as dores dela, ela falava que doía muito, então pedi para o médico passar outra coisa para ela não sentir dor.
Eles começaram a dar morfina... Mesmo assim as dores não paravam; ela não falava mais com a gente... Ela só resmungava... Sua voz foi silenciando aos poucos...
Começamos há passar o dia e a noite no hospital... Consegui uma autorização para poder ficar de acompanhante com ela, nós revezávamos, eu ficava um pouco, a tia também e o pai a visitava sempre.
No dia 13 o médico me chamou... Ele falou que sentia muito mesmo, mas o quadro clínico da mãe tinha piorado muito, ela não estava nada bem... Ele disse que falar isso é muito triste para um médico, pois o que eles querem é tentar ajudar, mas no caso da mãe eles não tinham nada a fazer... Ele chorou comigo.
Ela foi transferida para a emergência... A partir deste momento nós não poderiamos passar a noite no hospital, lá não tinha espaço e o ambiente não era apropriado para acompanhantes.
Aumentaram a dose da morfina... Ela não conseguia abrir mais o olho, mas apertava minha mão quando eu falava com ela... Que aflição, não saber como ela estava se sentindo, como ela estava. Queria falar com ela...
A médica entrou na sala e falou que a situação da mãe tinha piorado e que era para eu e o restante da família se preparar para o pior... A médica segurou minha mão e apertou forte. Olhou nos meus olhos e falou: “eu sei que é difícil”, eu estava em prantos.
Eu tive que sair e falar para o pai, para a tia e para o Diogo, repetir tudo que os médicos tinham me falado.
Entrei de novo e uma coisa me incomodava, estava com medo da mãe estar sentindo dor ainda e só não consegui-se falar... Perguntei para a médica que estava acompanhando o caso, ela disse que mãe não estava sentindo nada, a dosagem do remédio era alta.
Tivemos que ir para casa e deixa-la naquele estado no hospital, meu coração sangrava... Foi muito difícil.
No dia 14 voltamos ao hospital, o clima já era tenso; Eu estava tentando encher minha mente com coisas que pudessem me confortar naquele momento, então eu comecei a ler alguns trechos do livro “A ciência do bom viver” de Ellen G. White.  Foi a melhor escolha que fiz de leitura para aquela ocasião. Através do livro pude entender que minhas orações naquele momento precisariam mudar, eu até então estava de alguma forma prolongando o sofrimento da mãe, eu tinha certeza que ela não queria ficar nem mais um dia naquele hospital, ela queira descanso, precisávamos orar para isso acontecer se fosse da vontade de Deus. Conversei com a Tia Bebel e com o Pai nós mudamos nossas orações.
Passamos o dia ouvindo histórias e vendo pessoas morrer na emergência... Os aparelhos parando e pessoas chorando.
Eu entrei pela última vez na sala e toquei a mão da mãe, estava gelada, não tinha movimento, ela não respondia a nenhum dos estímulos. Ela estava com o olho aberto só que parado sem movimento, eu tentei aproximar meu dedo do olho dela para ver se ela fecharia, a gente faz isso quando algo se aproxima do nosso olho, é involuntário, mas ela não respondeu... Dava para tocar seu olho se eu quisesse. Ela ainda estava viva, pois respirava, mas ela não voltaria mais a falar comigo.
Cheguei bem perto do seu ouvido e falei...
-Chegou a hora de descansar mãe, vai em paz. A gente se vê lá no céu, vou me preparar para isso.
-.... ... ... ... ...
Dei um beijo na sua testa gelada e apertei sua mão, sua pele tinha gosto de remédio. Saí para meu pai e a tia entrarem. Voltamos para casa, o silêncio reinava no carro.
Tentamos dormir aquela noite, mas era quase impossível... Quando deu meia noite e meia meu telefone tocou... Eu já sabia.
Não lembro agora quem falou comigo se foi a tia ou meu pai; só sei que o médico ligou, ele disse que precisava falar com a gente lá no hospital.
Saímos tarde da noite de casa a caminho da Unicamp, chegamos aproximadamente 01:45hs da manhã do dia 15 de outubro de 2010, o médico nos informou que a mãe teve paralisia de  órgãos, e eles não conseguiram reanima-la.  Ele concluiu com um “Sinto muito”.
O corpo já não estava mais na Unicamp, foi o que eles disseram, primeira coisa foi começar a ligar e dar a péssima noticia. Naquele dia experimentei um dos “cálices” mais amargos da minha vida. Tudo mudaria a partir de então.

4 comentários:

  1. Que saudade que tenho de vc minha sogrinha !!!
    queria ter vc aqui do nosso lado queria que vc soube-se que seu neto (ou neta ) esta a caminho e que não vai se chamar Diogo mas Lucas, queria tanto sua opinião mas sei que é impossível, mas quero que todos saibam que eu Te amo como se fosse minha mãe !!

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  2. Ela te amava muito meu amor, como se fosse filho. Ela sabia onde você morava, onde você trabalhava, quem era seus pais, o que você já tinha aprontado, muito antes de mim... Tive uma detetive particular para escolher meu namorado e meu futuro esposo!!! Minha mãe sempre estará nos nossos corações. Eu sempre serei seu bichinho...

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  3. As lágrimas rolam qdo não há palavras!

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    1. Verdade... As vezes nos "enxarcamos" com tantas lágrimas.

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