domingo, 30 de setembro de 2012

INDEPENDÊNCIA ROUBADA


É
 difícil permanecer doente por um longo tempo, tanto para os familiares como para a pessoa. Acredito que, quem sofre mais é o doente. Às vezes a vontade de quem esta sofrendo com algum problema físico, é simplesmente poder, andar como antes, quando nada o afligia, poder ter a independência novamente.
A doença tem a capacidade de roubar das pessoas tudo que a faz ser feliz, rouba suas forças, rouba sua saúde, rouba sua capacidade de fazer as coisas sozinhas, rouba sua alegria de viver. Eu admiro quando vejo pessoas que a doença marginaliza falar sem rancor.
“Feliz é aquele que nas aflições continua fiel! Porque, depois de sair aprovado dessas aflições, receberá como prêmio a vida que Deus promete aos que o amam.” Tiago 1:12.
Pode ser fácil para você, pois você ainda tem sua independência, você consegue se locomover para onde desejar, decidir onde você gostaria de ir e a que horas o fazer, se nada dói, se nada esta rodando a sua volta, se seus pés ainda pode obedecer a seus comandos. Os dias para quem a doença roubou sua independência parecem ser anos, as horas meses e cada minuto um dia.
Tudo vai passar Tia, Deus vai te ajudar, Ele é nossa esperança para dias melhores, você é guerreira e determinada VOCÊ TIA BEBEL vai reconquistar o que um dia foi seu, sua independência.  
 “Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão”. Isaías 43:2.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

SAUDADE DE VOCÊ


        Saudade é um sentimento que não te avisa que vai se alojar no seu coração, ele simplesmente chega e acha que é o dono do pedaço... Ontem eu olhava para os lados e o que eu queria de verdade era poder de ver mãe, poder olhar você e ter a certeza que você me responderia com outro olhar e um sorriso, eu só queria te ver.
       Mesmo que fosse de longe só queria te ver por perto, assim como minha amiga podia fazer, todas as mães estavam lá, faltava você...
       Saudade louca, que não tem hora, saudade que toma meu coração, saudade que arde, dói e parece que não ter fim... QUERO TE VER NOVAMENTE... Quero ouvir você brigar comigo e falar para tomar jeito, para fazer as coisas certas e achar meu caminho.

          Saudade...

sábado, 22 de setembro de 2012

DEUS SABE, DEUS OUVE, DEUS VÊ.



Quando o coração fica apertado e a dor parece não querer ir embora, quando o choro fica engasgado na garganta, Deus te acolhe nos braços e sussurra nos seus ouvidos, ‘filhinha eu te amo não chore mais’. Quando Você não entende o porquê das coisas, quando você olha ao seu redor e percebe o vazio em meio à multidão, Deus te abraça e lhe mostra o céu, azul e branco, Ele mostra que você não esta só e nunca ficará Ele te conforta como ninguém sabe fazer, Ele “sabe o que vai dentro da alma, Deus ouve a oração suplicante, Deus vê sua angustia e o acalma, Deus faz de Você um GIGANTE” *, Ele sempre vai estar ali para te proteger.
Quando ninguém mais entende sua dor e você se sente tão pequenininho neste mundo “dirija seus olhos a Deus” *, só nos braços do pai você poderá ter paz de espírito; “Não deixe que sombras o envolvam, entregue sua vida a Deus” *.  “Se a vida levou os castelos, que em sonhos você construiu”*, não se sinta derrotado, levante por mais que isso seja doloroso, e olhe para céu, com Deus você conseguira vencer qualquer coisa.  

“Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram” – NTLH Ap. 21: 4.


*Hino de Valdecir S. Lima e Flávio Almeida Santos.

sábado, 15 de setembro de 2012

PREOCUPAÇÃO DE MÃE!


Você se lembra de quando você caia e se machucava e sua mãe vinha correndo ver se estava tudo bem?
Eu me lembro de várias ocasiões neste estilo, eu aprontava muito, então ficar com marcas era normal. A gente cresce e muda, mas as mães continuam as mesmas, a mudança só ocorre dentro de nós, um dia somos crianças, no outro adolescente e quando você menos espera nos tornamos adultos, daí para frente é que a coisa pega, pois não temos o colinho de mãe toda hora, precisamos lidar com nossas dificuldades, nossos tombos sozinhos, não que as mães não queiram ajudar, elas sempre vão estar dispostas a nos consolar, mas chega uma hora que você precisa "puxar as rédeas", você precisa conduzir sua vida.
Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo. Eu trabalhava em um pequeno bazar perto da casa da minha mãe, fazia um bico para poder pagar a faculdade, era cedo e eu ainda estava colocando os jornais para fora. O dia estava bem ensolarado e prometia ser bem produtivo, isso queria dizer que eu poderia fazer meus trabalhos da faculdade sem nenhum problema. Deixa-me explicar melhor, a minha função neste estabelecimento era cuidar da organização da loja e atender os clientes, só que estamos falando de um bazar que não tinha muito movimento. Assim eu poderia usar meu tempo com outras coisas. Eu não poderia deixar de falar que minha chefe era pouca coisa mais nova do que eu.

Eu ficava sozinha a maior parte do tempo, até minha mãe levar meu almoço, só que neste dia o relógio não tinha marcado nem oito horas e minha mãe apareceu na porta da loja, ela estava com uma aparência estranha e muito cansada, eu fiquei preocupada com o estado físico dela. O rosto dela era de susto.
- Oi mãe, tudo bem? Você parece cansada?
-Tudo, é que subi muito rápido. – Depois de ter ido até o banheiro e verificar se eu estava sozinha.
- O que foi mãe. Porque você esta olhando ai dentro? – Não estava entendendo nada.
- É que a lojinha do lado de casa foi assaltada de novo e prenderam a senhora no banheiro, eles levaram à chave, ela ficou gritando lá dentro até o cabeleireiro ouvir e tira-la de lá. Eles bateram nela com a arma. Quando fiquei sabendo eu corri para cá porque eles estavam assaltando todos os bazares da redondeza e eu fiquei preocupada com você, imagina se te prende ai dentro – Apontando para o banheiro - e ninguém aparece para tirar você, o borracheiro nunca iria te ouvir. – Terminando de falar já mais calma.
- E você aqui eles não iriam me assaltar né? – Falei rindo, pois ela não iria me ajudar estando lá na hora do assalto, a única coisa que iria acontecer era eles prenderem nós duas no banheiro.
- Mudaria muito mãe, seríamos nós duas gritando por socorro.
Ela abriu um sorriso, mas ela ainda continuava preocupada; ela falou que só iria embora depois de ter certeza que eu estava em segurança. Eu concordei, pois no fundo fiquei morrendo de medo de ser assaltada e pressa no banheiro.
Aquele dia ela não queria me deixar sozinha, foi preciso falar que estava tudo bem e que eu iria esconder uma copia da chave dentro do banheiro, assim pelo menos não iria ficar trancada lá caso acontecesse alguma coisa. Essa opção de consolo não foi uma boa escolha. Ela achou melhor eu ficar na porta mais atenta a tudo e todos, assim eu fiz e aquele dia parecia não ter fim. O importante, não fui assaltada naquele dia e minha mãe passou a me ligar algumas vezes para saber se estava tudo bem.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

VÃO


Essa foi a música que o Diogo cantou no primeiro sábado na igreja sem a presença da minha querida mãe. Eu gosto da letra pelo fato de falar exatamente como me sinto. O mundo continuava a ser mundo, as casas continuavam no mesmo lugar, a faculdade tinha o mesmo endereço, as pessoas que estudavam nela também, mas tudo parecia ser diferente, a essência continuava a mesma, mas o vão de uma ausência estava deixando um vaco, um abismo no meu coração.
A AUSÊNCIA DE UMA PESSOA PODE MUDAR TUDO AO NOSSO REDOR. SINTO SUA FALTA.


 “É a mesma aragem que levanta as folhas

A mesma paisagem da minha janela
E os muros caiados
Os motores ao longe
E o machar dos ponteiros...
Seria tudo a mesma essência
Não fosse o vão de uma ausência
E o vácuo que ela fez
Não fosse o vão de uma ausência
E o vácuo que ela fez.
Existe no entanto

Um bálsamo Divino
Que seca o meu pranto
E amortece a dor
Eis que apenas dorme
Para logo despertar
Quando enfim Cristo chamar...
Para levar à Sua Cidade
Pra conceder a eternidade
Todos juntos outra vez
Bem-aventurados todos

Que desde agora e até o fim
Dormem no Senhor
Suas obras vão com eles,
Sua coroa está guardada
Será o fim de toda dor,
O fim de toda a dor
Bem-aventurados todos
Que dormem no Senhor
Os que morreram na esperança

Da volta de Jesus
Receberão a boa herança
Partilharão de sua luz
E nós os que ficamos
Confirmemos nossa fé
Pois Cristo é garantia
O reencontro certo é...
Bem-aventurados todos

Que desde agora e até o fim
Dormem no Senhor
Suas obras vão com ele,
Sua coroa está guardada
Será o fim de toda dor,
O fim de toda a dor
Bem-aventurados todos
Que dormem no Senhor”.

VÃO -  ROBSON FONSECA

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A TROCA PELA VIDA NA CIDADE



  1. Da esquerda para a direita, Tia Maria e Minha Mãe.
No ano de 1962 nascia Marta Machado de Miranda, no interior do Paraná na cidade de Paranavaí. Quando minha mãe tinha dois anos de idade meu avô adquiriu algumas terras do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no interior de Rondônia, então ele pegou a família e foi tentar a vida nesta nova terra, sem saber que estava fazendo parte da povoação do estado e participando da história da criação de Ji-Paraná.

 A vida na roça não foi fácil para a família Miranda, pois meu avô Idelcino possuía duas famílias, ele ficava mais ou menos quinze dias com uma família e quinze dias com a outra. Minha mãe e meus tios conheciam a outra família que meu avô tinha e sempre que possível eles infernizavam a vida da Dolores e de seus filhos, eles revidavam, era uma verdadeira guerra.

Como meu avô tinha muitos filhos dos dois lados ele começou a coloca-los para trabalhar na roça desde cedo, só que na família da minha avó Francisca o sexo que predominava era o feminino e não o masculino, então as mulheres entravam “na dança”. Minha mãe era a segunda filha do casal, sendo que a primeira é minha tia Maria e depois da minha mãe vem meu tio Moacir, minha tia Izabel, minha tia Naide, minha tia Lúcia e meu Tio Marcos (tomara que acertei a ordem).

Com duas famílias as coisas nem sempre saiam como ele esperava, sem muito tempo para fiscalizar o serviço meu avô levava os filhos para capinar e os deixava com metas para cada um cumprir até ele voltar. Quando voltava da casa de sua outra mulher verificava se tudo estava feito como ele mandava, aqueles que não cumpriam com suas obrigações apanhavam com tudo que ele achava na sua frente.

A rixa entre as suas mulheres começou a piorar, então para tentar ficar livre de uma delas ele resolveu a situação mandando minha avó para o hospício. Aqui fica claro que ele gostava mais da Dolores. Minha avô não tinha nenhum problema psicológico na época, entretanto veio adquirir muito tempo depois devido aos traumas causados por essas internações sem necessidade ao hospício.

                                                
No centro de azul minha avó Francisca e meu primo Janio.
Os tempos eram difíceis e o  desejo da minha mãe era poder ir morar na cidade, acreditava que lá ela poderia mudar de vida, ou simplesmente viver melhor, mas meu avô não gostava muito da ideia. Então já que não dava para simplesmente sair de casa ela resolveu ficar noiva. Meu avô não aceitou o noivado e resolveu “convencer” a mãe de não casar-se, ofereceu para ela um relógio e um serviço na cidade, nesta época ela tinha por volta dos 17 anos, ela então ganhou sua "carta de alforria" que tanto desejava, tirou a aliança e escreveu uma carta para deixar para o noivo, porque meu avô tinha medo dela desistir do acordo quando o reencontrasse.

O noivo quando pegou a carta entregue pelas mãos do meu avô com as últimas palavras da minha mãe para desmanchar o noivado tratou de ir logo atrás dela tirar satisfação, pois não foi um jeito muito amigável para um rompimento, existia melhores.  Mesmo sem saber o endereço certo foi à procura e acabou achando o paradeiro da fujona. Minha mãe ficou desconfiada ao vê-lo no portão da casa de sua nova patroa, entretanto foi atendê-lo, ele por sua vez estava com má intenção e ela logo percebeu e se refugiou dentro da casa, essa foi a primeira e a última vez que o noivinho da roça foi procurá-la. Agora a vida poderia ser diferente. Ela estava quase livre para poder explorar a cidade.


Figura 1 
Figura 2 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

COMO NÃO DEIXAR O TEMPO APAGAR SUA HISTÓRIA?



Acordei com o resmungar do Lucas no berço, ao pegá-lo para alimentá-lo fiquei observando seu pequenino rostinho em meus braços, meus pensamentos me roubaram e uma coisa começou a me perturbar, como poderia fazer para meu bebezinho conhecer um pouco sua vovó Marta, sendo que ela não esta mais entre nós?  Como iria explicar para ele algumas situações?
O blog seria uma boa opção, mas não coloco tudo aqui, têm coisas que são segredos de família, e esses segredos eu gostaria que ele soubesse, porque ele faz parte da família. Então resolvi catalogar fotos e papeis que tenho sobre minha mãe e coisas feitas por ela para poder mostrar para ele quando crescer. No meio disso tudo... Também vou fazer um livro, se posso assim dizer, para registrar a história através das minhas memórias e é claro com a ajuda dos parentes mais chegados para poder deixar mais real possível, pois nossa memória não costuma ser muito confiável, com o passar dos anos as coisas vão mudando de forma na mente e aquilo que você achava que era uns anos atrás vai se transformando e se misturando com a sua realidade do momento.

  
Vou te contar tudo que sei e vivi com ela amorzinho, vou deixar tudo ilustradinho para você, e quando te perguntarem quem era a Marta você vai saber falar mais do que “era minha avó”.