quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A TROCA PELA VIDA NA CIDADE



  1. Da esquerda para a direita, Tia Maria e Minha Mãe.
No ano de 1962 nascia Marta Machado de Miranda, no interior do Paraná na cidade de Paranavaí. Quando minha mãe tinha dois anos de idade meu avô adquiriu algumas terras do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no interior de Rondônia, então ele pegou a família e foi tentar a vida nesta nova terra, sem saber que estava fazendo parte da povoação do estado e participando da história da criação de Ji-Paraná.

 A vida na roça não foi fácil para a família Miranda, pois meu avô Idelcino possuía duas famílias, ele ficava mais ou menos quinze dias com uma família e quinze dias com a outra. Minha mãe e meus tios conheciam a outra família que meu avô tinha e sempre que possível eles infernizavam a vida da Dolores e de seus filhos, eles revidavam, era uma verdadeira guerra.

Como meu avô tinha muitos filhos dos dois lados ele começou a coloca-los para trabalhar na roça desde cedo, só que na família da minha avó Francisca o sexo que predominava era o feminino e não o masculino, então as mulheres entravam “na dança”. Minha mãe era a segunda filha do casal, sendo que a primeira é minha tia Maria e depois da minha mãe vem meu tio Moacir, minha tia Izabel, minha tia Naide, minha tia Lúcia e meu Tio Marcos (tomara que acertei a ordem).

Com duas famílias as coisas nem sempre saiam como ele esperava, sem muito tempo para fiscalizar o serviço meu avô levava os filhos para capinar e os deixava com metas para cada um cumprir até ele voltar. Quando voltava da casa de sua outra mulher verificava se tudo estava feito como ele mandava, aqueles que não cumpriam com suas obrigações apanhavam com tudo que ele achava na sua frente.

A rixa entre as suas mulheres começou a piorar, então para tentar ficar livre de uma delas ele resolveu a situação mandando minha avó para o hospício. Aqui fica claro que ele gostava mais da Dolores. Minha avô não tinha nenhum problema psicológico na época, entretanto veio adquirir muito tempo depois devido aos traumas causados por essas internações sem necessidade ao hospício.

                                                
No centro de azul minha avó Francisca e meu primo Janio.
Os tempos eram difíceis e o  desejo da minha mãe era poder ir morar na cidade, acreditava que lá ela poderia mudar de vida, ou simplesmente viver melhor, mas meu avô não gostava muito da ideia. Então já que não dava para simplesmente sair de casa ela resolveu ficar noiva. Meu avô não aceitou o noivado e resolveu “convencer” a mãe de não casar-se, ofereceu para ela um relógio e um serviço na cidade, nesta época ela tinha por volta dos 17 anos, ela então ganhou sua "carta de alforria" que tanto desejava, tirou a aliança e escreveu uma carta para deixar para o noivo, porque meu avô tinha medo dela desistir do acordo quando o reencontrasse.

O noivo quando pegou a carta entregue pelas mãos do meu avô com as últimas palavras da minha mãe para desmanchar o noivado tratou de ir logo atrás dela tirar satisfação, pois não foi um jeito muito amigável para um rompimento, existia melhores.  Mesmo sem saber o endereço certo foi à procura e acabou achando o paradeiro da fujona. Minha mãe ficou desconfiada ao vê-lo no portão da casa de sua nova patroa, entretanto foi atendê-lo, ele por sua vez estava com má intenção e ela logo percebeu e se refugiou dentro da casa, essa foi a primeira e a última vez que o noivinho da roça foi procurá-la. Agora a vida poderia ser diferente. Ela estava quase livre para poder explorar a cidade.


Figura 1 
Figura 2 

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