quarta-feira, 31 de outubro de 2012

UM PASSO


Um dia você acorda e percebe que seu coração esta em paz. Que todo aquele sentimento que você carregava dentro do peito e o deixava magoado e desanimado, foi embora.  Você sente que está tudo novo dentro de você. Que a poeira já baixou a chuva passou, e seu coração está repleto de sol. 
Você olha para trás e se pergunta “porque só agora?”. Será pelo fato de ter esquecido o sentido de andar?! Porque se privar de todo esse sentimento?! É preciso restauração. É preciso liberdade.
Desenho de out/2012
Não deixe por nenhum momento a vida te privar da felicidade. Se não for aqui, talvez em outro lugar, mais nunca pare de andar. Mesmo que seus pés falem não. Mesmo que esse passo aconteça somente dentro do seu coração.   
O que estava faltando era aquele pequeno passo que você adiou tanto a dar, foi o que causou todo o sofrimento. Se você tivesse ouvido seu coração, tivesse obedecido a sua vontade, o que você esta sentindo hoje, já teria acontecido, e você talvez precisasse dar outro passo, para conseguir chegar onde seu coração realmente almeja estar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

PARA O FIM DO ANO - AMIGO SECRETO DE BLOGEUIROS








Passando no blog Literatura: Um mundo para poucos, encontrei esse amigo secreto super legal, quem quiser entrar na onda é só se cadastrar. 





VAMOS AS REGRAS





Como irá funcionar:


1. Os interessados preencherão um formulário com nome completo, e-mail, nome do blog, e endereço completo.


2. Depois os e-mails serão cadastrados no site AmigoSecreto.com ou outro (mandarei um e-mail avisando qual o site), que realizará o sorteio no dia seguinte, acredito que todos terão que fazer o cadastro simples e rápido.


3. O site enviará um e-mail automaticamente para cada participante com nome do sorteado. Nesse momento peço que todos confirmem o recebimento do e-mail e de que não tiraram si mesmos.


4. Depois do sorteio, montarei uma tabela com os endereços e enviarei para todos.


5. Os envios dos presentes deverão ser feitos o quanto antes, para que dê tempo de chegar até o Natal e os presentes só poderão ser abertos no dia de Natal. E cada um terá que postar uma foto com o(s) seu(s) presente(s) e falar de quem ganharam.


6. Para deixar a brincadeira mais legal, eu criarei um formulário onde cada um pode deixar um recado, anônimo e se quiser claro, para a pessoa que tirou, e eu irei publicando para cada um.


  Agora vamos às regras:




1. O presente deve ser um livro, mas claro, fica a critério da cada um, se quiser, enviar alguns mimos para completar. Os valores estipulados serão entre R$ 20,00 e R$ 50,00, acho esses valores razoáveis para um livro.


2. O formulário deverá ser preenchido até as 23h59m do dia 10/11/2012 por todos os blogueiros interessados.


3. O sorteio será realizado no dia 12/11/2012 as 20h00m, então se receber qualquer e-mail, do site que vou informar por e-mail, pedindo para realizar o cadastro peço que faça até o horário do sorteio ok.


4. Fazer uma postagem de divulgação do Amigo Secreto de Natal, afinal quanto mais blogueiros melhor.


5. Os participantes terão que seguir todos os blogs nas redes sociais.



6. Os participantes deverão ter endereço no Brasil.




7. Twittar a seguinte frase “Eu e outros blogs estamos participando do Amigo Secreto de Blogueiros organizado pelo @D_deHistorias neste Natal! http://tinyurl.com/9d2xly7”


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

MEME - UM POUCO SOBRE MIM




É com sorriso de orelha a orelha que vou responder nosso primeiro Meme, indicado pela Bela do blog Para Beatriz.


As regras pra participar são as seguintes:
- Escrever onze coisas aleatórias sobre você.
– Responder as onze perguntas que a pessoa lhe mandou e criar onze novas perguntas para as pessoas para quem irá mandar.
– Escolher onze pessoas para repassar esse meme e colocar os links de seus respectivos blogs.
– Avisar os blogs escolhidos.
– Não retorne esse meme para quem te enviou.
– Postar as regras.

11 COISAS ALEATÓRIAS SOBRE MIM

1. Sou uma “vegetariana” que todos condenam, pois como peixe. Tenho meus motivos.
2. Gosto de desenhar e tenho planos sobre o assunto. Quero fazer um curso de desenho.
3. Quero escrever um livro, mais o projeto esta andando muito lento.
4. Hoje eu gosto de ler, mais nem sempre foi assim, tive que trabalhar esse gosto em mim, não nasceu comigo. Alguns falam que sempre gostei de livros, mais o que eu lembro é que só comecei a ler de verdade, um livro atrás do outro, aqui em Campinas.
5. Não sou de Campinas, nasci em Ji-Paraná-RO. 
6. Sou apaixonada por Handebol.
7. Amo minha família.
8. Adoro filmes, sou daquelas que gosta de filmes dramáticos, mais só se não tiver nenhuma comédia romântica passando no mesmo horário.
9. Não gosto de cozinhar, faço por obrigação. 
10. Tenho gosto estranho pra comida. Adoro Pão com Banana, requeijão (ou maionese) e queijo. 
11. Já fiquei depressiva.




AS PERGUNTAS QUE FORAM FEITAS PARA EU RESPONDER

1 – Se pudesse mudar apenas UMA coisa em toda a sua vida, o que mudaria?

Essa é fácil, eu queria minha mãe de volta.

2 – O que te levou a criar um blog?

O blog foi criado com o objetivo de terapia. É também uma forma de guardar minhas recordações, e não deixar minha mente apagar minha mãe. Hoje escrevo para esvaziar o que esta dentro de mim. Limpar a alma.

3 – Já pensou em desistir do seu blog? Por quê?

Muitas vezes. Porque às vezes acho que tudo que escrevo não esta servindo para ninguém, só para mim. Até conversar com alguns amigos que acompanham de verdade meu blog, e receber comentários que me ajudaram muito a continuar. E hoje acho que o blog virou uma necessidade para mim.

4 – Se estivéssemos em um apocalipse zumbi e você tivesse de sair imediatamente da sua casa, quais os 5 objetos você levaria?

Nossa. Zumbi? Já estou morrendo de medo. Eu levaria uma faca (para matar eles, RS, eles morrem com facadas?), uma lanterna (para vê-los melhor, que meda), uma corda (não sei para quê, mais sempre serve), uma foto da família, um isqueiro e uma mochila (para levar tudo). 

5 – Se pudesse acabar com a existência de UMA música, qual seria? 

“QUE ISSO NOVINHA” – É uma música inútil, sem conteúdo.

6 – Quais são seus objetivos / metas para os próximos 3 anos? 

Fazer uma pós, começar meu mestrado, fazer um curso de desenho, tirar  minha carta, voltar a fazer inglês, praticar algum esporte em equipe, escrever um livro. 

7 – Se pudesse voltar 5 anos na sua vida, o que você mudaria? 

Essa é difícil. Mais acho que não teria trocado meu serviço na Totaline, para trabalhar por conta, sei lá, teria procurado uma psicóloga e tentado ficar e enfrentar meus medos.

8 – Qual seu livro preferido? 

Um Defeito de Cor – Ana Maria Gonçalves

9 – Qual livro você indicaria para mim?

Hum.  Conte- me teu sonhos – Sidney Sheldon. É um livro marcante. Ele fala sobre o que a gente pode fazer enquanto achamos que estamos dormindo.

10 – Se pudesse deixar um conselho para as próximas gerações, qual conselho você deixaria? 

Viva sempre o hoje, mais não esqueça que suas atitudes de agora é o que vai definir o seu amanhã.

11 – Qual filme você assistiria 500 vezes de tanto que gosta? 

O Sorriso de Mona Lisa. Adoro muito. Ele é profundo. Ajuda-me a entender meus dilemas.


AS PERGUNTAS PARA OS BLOGUEIROS RESPONDEREM

1. Qual livro você mais gosta? Por quê?
2. Qual livro você tem uma relação de amor e ódio?
3. Qual livro você odeia com todas suas forças?
4. Se você fosse um deus ou deusa do olimpo, qual seria? Por quê?
5. Porque você criou seu blog?
6. Quais são os meios que você usa para popularizar seu blog?
7. Quais blogs você lê assiduamente?
8. Se fosse para escolher um país onde morar, qual você escolheria?
9. Qual filme você assistiria mais de 10 vezes?
10. Qual dia da semana você mais gosta? Por quê?
11. Você acredita em Deus? Qual sua relação com ele?

OS BLOGUEIROS QUE INDICO:




1.      Blog Willy Book Teen
2.      Blog da Bruna Maranhão Segredo de um Mundo
3.      Blog do Marcos de Souza O mundo sob o meu olhar
4.      Blog da Regina Ramos Meu poemas.. Meus sonhos!
5.      Blog da Julia Baton e Glos
6.      Blog da Sarah Long on Books
7.      Blog da  Iasmin Refúgio das Palavras
8.      Blog da Juliane O que o coração Sente
9.      Blog da Rapha Memórias da Gordinha
10.  Blog da Naty Revelando Sentimentos





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PACIÊNCIA SPIDER


Minha mãe jogando paciência


Achei essa foto nos meus arquivos. Inevitável foi não lembrar como chegamos a esse nível. Minha mãe em frente ao computador, jogando paciência sem minha ajuda.
Computador para meus pais era um bicho de sete cabeças, eu tentava explicar como funcionava mais você deve entender que adolescente não gosta de ficar falando a toda hora a mesma coisa, ainda mais para seus pais. Na mente da gente parece tão claro e fácil, que não conseguimos entender porque apertar um botão escrito INICIAR parece uma equação matemática.  Olha que isso é só o começo, depois achar o jogo se transforma em busca ao tesouro perdido. 
Depois de muita labuta, meus pais aprenderam a ligar o computador, achar o botão iniciar, achar o jogo, conectar a internet (nesta época tínhamos internet discada, uma loucura, ficávamos mais tentando do que conectados), abrir um vídeo. Pronto eles aprenderam a mexer.
Criei um e-mail para cada um, o da minha mãe ela deve ter entrado uma duas vezes, o negocio dela era jogar Paciência Spider, meu pai já gostou do e-mail e usa o mesmo até hoje. 
Minha mãe não gostava quando eu falava que ela estava viciada no jogo. Quando eu abria minha boca grande ela ficava até meses sem mexer no computador, só para provar para mim que eu estava errada. Eu ficava com a consciência pesada e colocava no jogo para ela. Eu a chamava e insistia para ela tirar um tempinho para jogar. Essa alegria não durava muito, pois eu sempre achava um jeito de abrir minha boca grande de novo. 

   



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SOMOS FRUTOS DE LÁPIS E PAPEL




As vezes a vontade é de não crescer, é ficar aqui mesmo estagnada, sem nenhuma evolução. Crescer doe, as vezes deixa marcas, deixa cicatrizes, que o tempo não é capaz de apagar. 
Desenho de Out/2012
Mais crescer é algo involuntário, é algo natural do ser humano. Mesmo sem querer a gente vai crescer, a diferença é que posso fazer deste crescimento um desenho, ou simplesmente rabiscos em um papel. Diferente da vida, os desenhos que não ficam como queremos, podem ser amassados e jogados no lixo. 
Os rabiscos são esquecidos muito rápido,  pois não conseguem impactar nenhuma alma. As vezes causa até um desconforto ao olhá-lo. Se nós não tivermos dispostos a tomar uma atitude, o tempo vai nos apagar, vai nos esquecer. Sinto que somos frutos de lápis e papel. 
A vida deve ser como os desenhos. Onde  os riscos cravados no papel fazem algum sentido. Foram feitos para ser apreciados, foram feitos para perpetuar. O papel é onde se pode colocar seus sonhos, onde se constrói castelos. 
Os riscos feitos de leve serve para finalizar um desenho. Já os riscos com mais pressão serve para dar contorno, sentido para o desenho. 
Para fazermos dos riscos um desenho, que queremos apresentar,    é preciso sofrer muitas mudanças, usamos a borracha para tirar as imperfeições, para apagar os excessos. Mais tem um problema, se o risco foi feito com muita força, a borracha é capaz de tirar apenas a cor do lápis, mais não as marcas.
Por esse, e por outros exemplos, acredito que somos frutos de lápis e papel.














domingo, 21 de outubro de 2012

DUAS VERSÕES PARA UMA MESMA HISTÓRIA: UMA PEQUENA CARTA - FINAL

(Esse post encerra a sequencia da história da minha avó Francisca, acredito que ainda irei escrever mais sobre o assunto, mais por enquanto é isso que tinha preparado).

Um dia perto do meu casamento, isso era em 2007, minha tia Izabel estava sentada de frente comigo, na mesa da cozinha, aqui em campinas. Ela escrevia nossos telefones, em um caderno pequeno. Assim que ela terminou, pequei o caderno na mão e comecei a folhear.  Achei uma parte que estava escrito, como se fosse uma carta, achei tudo tão inspirador que copiei. Claro eu pedi para ela, antes de transcrever. Na época nem fazia ideia que poderia colocar em um blog, copiei simplesmente para ter aquelas palavras comigo, nos meus arquivos. Nós guardamos não só no coração, mas também em objeto, papel, coisas que podemos tocar, de pessoas que a amamos. O que estava escrito naquela folha era assim:

DIA 18 DE OUTUBRO DE 2007, ÁS 6 HORAS.
Dia que perdi a minha mãe foi um dia muito triste para mim. O mundo desabou, a minha vida mudou. Porque ela era minha companheira.
Os planos foram tudo por água a baixo (minha avó deveria vir para meu casamento, ela estava esperando por isso). Mais o que ainda me da o conforto é que a palavra de Deus diz: “Que o homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor”.
Uma coisa eu sei que o Senhor colocou a minha mãe para dormir e muito em breve irei revê-la, porque se eu já almejava o céu, agora almejo muito mais. (Grifo meu).
Izabel Machado Candido

Nesta mesma folha tinha um adesivo com a seguinte descrição: “Deus é minha âncora!”.
Tia Izabel e eu
A partir daquele momento entendi o que tinha ajudado minha tia a superar a dor. Ela tinha um amigo, o mesmo da minha mãe, ela tinha DEUS pra todas as horas. 

sábado, 20 de outubro de 2012

DUAS VERSÕES PARA UMA MESMA HISTÓRIA - PARTE 3


Meu Primo Wanderson de pé, minha avó Francisca, eu de rosinha e meu primo Welingthon.

Era manhã de uma quinta-feira, eu e minha mãe estávamos conversando, deitada na cama. O telefone tocou, eu peguei e vi o nome do meu tio Marcos. Entreguei para minha mãe atender. Ela estava com um sorriso nos lábios, pois seu irmão estava na linha telefônica. A conversa foi mais ou menos assim.
 – Oi Marcos!
- Oi, você esta sentada?
- Estou deitada conversando com o bichinho. Por que Marcos? – Até aquele momento pensávamos que era uma fofoca das quentes. Minha mãe regalou os olhos em minha direção e apertou os lábios. Estava pronta para receber as novidades.  
- A mãe faleceu hoje cedo.

Minha avó Francisca com seu netos: De short vermelho Welingthon, eu, no colo da minha avó o Pablo,  Gullit e  Wanderson com um pássaro no ombro.


Quando minha mãe terminou de ouvir sua feição já não era a mesma, seu olhar estava paralisado em mim, sem movimento. Eu sabia que a conversa não se tratava de fofoca e sim de algo muito serio.  Eu gesticulei para ela, o que foi? Ela não me respondeu. Pronto sabia que era noticia ruim.
Depois que a ligação terminou minha mãe nos contou que a vovó Francisca ou “Franchisca” com eu e o Diogo começamos a chama-la, tinha falecido. Não sei como minha mãe se sentiu, só sei que ela chorou e não pronunciou muitas palavras durante o dia. Nós todos ficamos triste. Ela recebeu a ligação do meu primo logo depois.
Eu, só entendi de verdade a ausência da minha avó quando voltei para Rondônia. Até então era como se ela tivesse viva, me esperando voltar. Simplesmente longe. Eu já tinha muita saudade dela. Ainda mais que alguns meses antes, ela veio em Campinas me visitar, foi sua primeira visita e a última. Foi uma despedida, é assim que gosto de lembrar. Ela veio disser um até logo. Porque guando Jesus voltar nas nuvens do céu, os mortos em Cristo ressuscitaram para passarmos a eternidade juntos. No céu não haverá mais choro, mas muita alegria. Estaremos todos juntos outra vez.
Isso conforta nossa família. Acalenta nossos corações. Pois tudo que Jesus prometeu ele cumpriu, e agora não vai ser diferente.  Estamos aguardando a volta de Jesus com muita ansiedade.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

DUAS VERSÕES PARA UMA MESMA HISTÓRIA - PARTE 2

CONTINUAÇÃO (para entender melhor este post, é preciso ler o post anterior)...


"Dois bombeiros entraram no quarto, e ficou me olhando, eu ainda estava fazendo as massagens. Fiquei indignado e gritei com um deles, “vamos, me ajuda aqui”, ai um deles o mais esbelto começou a fazer a massagem, o outro parecia não estar na sua melhor forma física.  Perguntei para o que tinha ficado estagnado na porta, “cadê a maca?”, ele falou “ta lá na ambulância”. Pedi para ele ir correndo buscar, precisávamos transferir minha avó do chão para a maca e correr para o hospital. Antes de fazer, o que era sua obrigação, um dos bombeiros teve a coragem de falar na frente da minha mãe, e do meu irmão, do meu pai, e na minha que “A VIDA É ASSIM MESMO. SENHORA, A GENTE NASCE, CRESCE, REPRODUZ E MORRE”. Naquele momento percebi que eles não tinham compaixão com os sentimentos do próximo. Tinham mandado duas pessoas que não sabia de nada. Mais uma vez tive que gritar com esse também, falei para ele que eu não tinha perguntado nada, que era apenas para ele fazer a sua obrigação. Acrescentei, “corre na ambulância e pega a maca, que o resto não me interessa”, ele foi pegou a maca. Enquanto isso, o outro fazia a massagem. Colocamos a minha avó na maca e carregamos até a ambulância. Pedi para meu irmão entrar na ambulância, para ele ir junto, ele entrou e  eles foram com a sirene ligada. O bombeiro que já tinha começado a fazer a massagem continuou dentro do carro.
Corri dentro de casa, peguei meu celular, meus documentos e fui atrás de moto rumo ao hospital.  Tudo isso deve ter durado uns 15 a 20 minutos. Chegamos praticamente juntos. Colocaram minha avó na sala de emergência, e não deixaram a gente entrar. Depois de uns 10 minutos, alguns familiares já tinham se reunido no hospital.
Foi nesta hora que recebemos a pior noticia que ninguém gostaria de receber, que Francisca de Souza Miranda tinha falecido. O mundo desabou, o choro aumentou. Lembro perfeitamente que eu liguei nesse momento para minha tia Marta, em campinas. Falei "tia!", nesse momento senti que ela já estava chorando. Um dos meus tios já tinha ligado para dar a noticia, e ela me perguntou, “é verdade, morreu mesmo?” falei que sim...
Nesse momento pediram para eu ir à funerária, resolver sobre o caixão, mas eu estava em choque. Meu tio Silvano se propôs a ir.
Tivemos acesso pela parte do fundo do hospital a uma sala onde ficam as pessoas mortas, em cima de uma pedra gelada. Estava lá minha avó, já sem vida. Novamente o desespero tomou conta. Estava junto comigo nesse momento, minha tia Lucia, tia Preta, minha mãe, acho que tinha mais gente, mas não me lembro. Todos estavam chorando.
Quando o carro da funerária chegou, eles a pegaram e levaram. Depois de algumas horas, levaram o corpo da minha avó para a igreja adventista do sétimo dia, do Jorge Teixeira, onde foi o velório".



Continua.................................................................. Amanhã.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

DUAS VERSÕES PARA UMA MESMA HISTÓRIA - PARTE 1



Os momentos que se seguem foram narrados por mim e pelo meu primo Wanderson, filho da tia Izabel. Duas versões de uma mesma história. Como a história é longa e intensa, vou dividi-la em quatro partes. Será postado a primeira parte hoje, dia 18/10, uma dia 19/10, outra dia 20/10 e finalmente a última postagem sobre essa história dia 21/10.
A primeira e segunda parte será a história contada pelo meu primo, como tudo aconteceu em Ji-Paraná - RO. A terceira e quarta parte será minhas memórias, aqui em Campinas- SP. 



  “Tudo começou na manhã de 18 de outubro. fui acordado por volta das 06h10min da manhã, pela minha mãe, preferiria ter continuado dormindo, porque os momentos que se seguiram foram angustiantes. Tudo ocorreu em minutos, mas foi como se tivesse durado anos.
Minha mãe me acordou aos gritos, parecia que eu estava em um pesadelo, mas foi à história da vida real mais forte que presenciei. Ela falava “a tua avó esta morrendo, corre para ver”, essa foram às palavras que minha mãe dirigiu a mim em pranto. Nunca levantei tão rápido na minha vida, corri para a casa dos fundos, onde minha avó dormia com minha mãe. A cena que vi, tenho certeza nunca vou esquecer, é como se fosse uma cicatriz bem profunda, entrei no quarto dela, minha avó estava deitada com os olhos aberto e boca aberta. Presenciei seus últimos suspiros por segundo, fiquei em choque sem saber o que fazer...
Nesse momento minha mãe entrava novamente no quarto, já com meu irmão, Welingthon, e ela gritava “a mãe esta morrendo”, então pedi para meu irmão ligar para os bombeiros, para eles virem com a ambulância, já que nossa casa era um pouco longe do hospital e do batalhão. Senti que eu tinha que fazer algo, foi então que me lembrei das aulas de primeiros socorros que tive no clube de Desbravadores, jamais pensei que um dia iria ter que colocar em prática, ainda mais na minha avó, eu olhei a pulsação dela, estava muito fraca, a respiração também, as mãos estavam geladas, o suor era frio e seu rosto estava pálido. Era um ataque cardíaco...  Ela abriu os olhos e olhou para mim, perguntei para ela, “vó o que você esta sentido?”, Ela já não conseguiu responder, estava toda torta na cama, de repente ela fechou os olhos e a respiração parou. Arrumei-a na cama e comecei a fazer massagem cardíaca, mais não estava dando certo, pois estava em cima do colchão e ela afundava quando pressionava. Então a peguei e coloquei no chão e comecei a fazer novamente a massagem, a prótese dentaria dela começo a atrapalhar, então tirei e continuei.
Nesse momento meu irmão tinha ido para frente de casa para ver se os bombeiros haviam chegado. Lembro que nesse momento minha mãe gritava pelo quintal de casa, que sua mãe estava morrendo, então enquanto eu fazia a massagem ouvia tudo isso. Mesmo neste estado emocional minha mãe começou a ligar para as irmãs e irmãos anunciando o que estava acontecendo. A vizinha acordou, devido ao barulho, como nosso quintal era cercado de balaustra a vizinha chegou perto da cerca e perguntou, “Izabel o que está acontecendo?”, ela responde entre lágrimas, “Miriam... A mãe está... Morrendo”.
Eu continuei a fazer as massagens, pois sabia que os momentos a seguir eram cruciais, sabia que a vida de minha avó dependia dos primeiros socorros, pois quando uma pessoa sofre um ataque cardíaco os minutos que antecedem ao hospital são vitais. (Vale ressaltar aqui que no dia anterior minha avó esteve no hospital, pois estava com um mal estar ou algo parecido. E tudo leva a crer que aplicaram um remédio, que não era para ter aplicado nela. Daquele momento em diante, o mal estar só foi piorando. Ela logo foi dormir, e de madrugada passou mal). Depois de algumas massagens, ela abriu os olhos novamente, senti que o coração dela tinha começado a bater. Parei e chamei “vó olha para mim?”, ela olhou. Abriu a boca e tentou falar algo para mim, mas não conseguiu. Fechou a boca e os olhos. O coração tinha parado de bater, novamente comecei a massagem, por mais alguns minutos nada de resposta, depois de certo tempo ela abriu os olhos mais a boca já estava toda torta. Parei, pois senti que o coração dela tinha voltado a bater, mas não duraram 10 segundos e parou tudo de novo.
Nesse momento, como num piscar de olhos, vi minha mãe gritando pelo quintal. Já estava exausto. Corri rapidamente para o banheiro e olhei pela janelinha, vi meu irmão acenando, a ambulância estava chegando, o nosso socorro. Voltei para o quarto e continuei novamente fazendo a massagem

CONTINUA......................................................................................... Amanhã.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

RABISCOS


Sem inspiração para escrever, vai então alguns desenhos para vocês verem.


MEU PAI - Desenho de 2010

DIOGO E EU (cortei de proposito) - Desenho de 2010
NOITE ESTRELADA - Desenho de 2012


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MINHAS ARTES

Quando eu não sei explicar o que meu coração sente, tento de várias formas sair da realidade, ficar em outro mundo, onde tudo acontece do jeito que eu quero. Onde as lágrimas não jorram dos meus olhos. Onde meu coração não fica apertado.
Gosto de desenhar nestas horas, nunca sei o que vai sair no papel, mais sinto uma vontade que vai além do meu interior, ela transborda e quando eu vejo já estou com o meu caderno de desenho (é isso mesmo, tenho um caderno de desenho), e um lápis na mão.
Aqui estão meus rabiscos de hoje.





FOI DIFÍCIL PROCESSAR O QUE ACONTECEU NO DIA 15/10/10.



Outubro não é um mês muito legal pra mim, sempre tento não ficar pensando no assunto mais não consigo. Quando o calendário marca o primeiro dia do mês, é inevitável não ficar remoendo todas aquelas situações que já relatei aqui, sobre o falecimento da minha mãe. O que eu não contei foi como o velório aconteceu, não contei porque até hoje não entendo porque reagi daquela forma. Mais agora acho que estou pronta para falar sobre o assunto.
Minha mãe foi velada no cemitério parque das flores, chegamos ao local antes do corpo, ainda estávamos fazendo ligações para avisar os amigos e familiares. Quando ela chegou, lembro-me de ficar sentada no banco olhando para o caixão de longe. Nesta hora quem estava lá era o casal que sempre nos ajudava Teresa e José Antonio, meu pai, tia Izabel e o Diogo. Eu tirei uma foto com o celular do caixão (os críticos de plantão deve estar me julgando neste momento, espere um pouco, porque têm mais), eu tenho essa foto até hoje, não vou coloca-la aqui, ainda não estou preparada para publicá-la, eu tirei a foto porque nós sempre registrávamos cada processo da evolução da doença. Ela sempre pedia para a gente registrar tudo, para quando ela estivesse curada pudesse mostrar as obras e milagres que Deus tinha operado na sua vida.
Eu guardei, e guardo até hoje esta foto, não mostrei para ninguém, o Diogo descobriu um tempo depois, quando estava olhando as fotos do meu celular, ele ficou bravo comigo, por ter tirado a foto, mais acredito que no fundo ele entendeu.
A minha mente naquele dia não conseguiu processar rápido a magnitude dos acontecimentos, eu sabia que ela tinha morrido e que não iria vê-la, mais a sensação era diferente, não era de perda. Ver aquele tanto de gente junto parecia que era uma visita, e que minha mãe estava dormindo, só dormindo.  Todo sábado ela recebia muitas visitas de pessoas queridas. Misturei na mente os fatos. Acredito que não tinha aceitado sua morte e como mecanismo de defesa eu fiz essa bagunça na mente.
Lagrimas escorreram no meu rosto no seu velório, mais não foi tudo o que estava guardado. Lembro-me de ter dando atenção para os amigos e falando dela como se nada tivesse acontecido.
Encostei algumas vezes no caixão para vê-la, tocava seu rosto, seu cabelo. Eu vi aquelas porção de terra sendo jogada em cima dela e mesmo assim a ficha não caiu. Seu velório foi na sexta e eu só fui processar tudo na segunda, no meu serviço, entrei em um mine cômodo, onde guardávamos as nossas coisas e lá eu desabei, chorei, chorei muito, acho que desabei, coloquei o que estava segurando, o que estava sendo trancado dentro de mim.  A Patrícia, uma das funcionárias, me achou e tentou me consolar. Passei a tarde toda chorando, a Angélica outra funcionária me ofereceu lencinhos para enxugar as lágrimas.  
Depois de ter entendido como seria os meus dias depois daquela sexta feira, ficou mais difícil segurar as lagrimas, fica difícil até hoje.  Já se passaram 730 dias sem a minha amiga, sem a minha mãe. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

MEMÓRIAS CONTADAS

Não sei se na sua família é comum as pessoas contarem suas memórias, aquelas histórias que passam de pai para filho, na minha sempre foi comum. Tanto minha avó Ester, meus tios e tias, como meus pais sempre falavam como era quando eu era criança, ou quando meu pai era criança. Cresci pensando que sabia de todas as memórias que meu pai tinha da minha infância, mais essa semana eu me surpreendi com várias que eu nunca tinha ouvido falar. Isso tudo é muito louco, com vinte e três anos nas costas e só agora eu descobri que quando era pequena não gostava de repetir palavras (fala sério, poderia ter continuado assim). Ele falou que quando dava voltas comigo de bicicleta e cansava, dava aquela parada para retomar o fôlego, ai eu falava "de novo", ele dava mais uma volta, quando parava, eu dizia "outra vez", depois "mais uma volta", assim até ele não aguentar mais e voltar para casa.
Eu não sabia disso e nem das voltas de bicicleta, só sabia que gostava de ir com ele para fazer exercícios, gostava de correr, meu pai sempre me levava para esses momentos juntos. Não tenho nada disso guardado na minha mente, eu só ouço as suas lembranças. 
O que fez ele lembrar destas coisas, acredito que seja a convivência com meu irmãozinho. Eu achei surpreendente a forma como meu pai faz o Jhone dormir, ele deita o Jhonatan e pega na perninha e balança até ele dormir, minha reação quando vi ele fazendo isso pela primeira vez, foi de espanto, olhei para ele e falei "pai a criança não vai dormir assim", para minha surpresa ele retribui o olhar e falou "Ele gosta, e você também gostava, eu fazia você dormir assim". Eu literalmente fiquei de boca aberta. Espanto total. Mesmo ele falando que o Jhone gostava eu fiquei meia desconfiada e fiquei esperando ele chorar, para eu poder pegar e colocar no colo e fazê-lo dormir. Não demorou muito e sabe o que aconteceu? O Jhone capotou. Fiquei pasmada. Surpreendente como a gente acostuma com tudo.
  

terça-feira, 9 de outubro de 2012

MINHA QUERIDA TIA – Minha segunda Mãe.



Mãe de Branco, Tia Izabel, Pablo
e Wanderson  segurando a Xuxa no colo.
Tia como é muito bom poder falar com você, mesmo que seja só pelo telefone. Moramos longe uma da outra, você em Ji-Paraná, interior de Rondônia e eu aqui em Campinas. Essa distância não foi estabelecida por nossa vontade, não foi porque queremos, mais porque a vida tomou seu curso. Você é para mim uma segunda mãe. Você é especial, deixou sua família e o conforto da sua casa para vir cuidar da mamãe quando ela precisou, foi à única tia que topou pegar um ônibus e andar mais de 3 mil km para poder estar presente no meu casamento. Você só não veio ficar comigo quando o Lucas nasceu, porque sua saúde não anda bem. Eu gosto muito de você. Eu te amo tia Bebel.
Quando o Wanderson me chamou no bate papo, do face, para contar que você também optou exercer sua função como cidadã, descobri que essa teimosia é coisa de família. Quando a gente coloca alguma coisa na cabeça não tem quem tire, nem uma tontura gigantesca.
Depois de ler o post, Meu Direito de ir Votar, O Wanderson, meu primo me contou como foi essa eleição para a tia Izabel.
"A mãe também optou por exercer seu papel de cidadã. Falei para ela que não precisava, mas ela falou que não tinha renovado seu título à toa, ela ia votar no seu candidato, o mesmo que estava ajudando as pessoas, assim como ela, que precisam fazer diálise. Então lá fomos nós. Primeiro eu fui votar e ver como estava à seção dela, tinha umas cinco pessoas na hora do almoço. Voltei e fui buscá-la de moto. Ela com toda a tontura que ainda sente, subiu na moto e nós fomos até a escola para ela exercer seu papel de cidadã. Votou e voltamos para casa, ela estava feliz da vida por ter conseguido votar no seu candidato".
Eu, meu tio Moacir, Tia Izabel, Mãe e Pai.
Nesta fala do meu primo percebi que o voto era uma questão de independência e esperança de um sistema público de saúde melhor. O candidato tanto da tia como da mãe perderam. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

TIRANDO DÚVIDAS



Esta postagem é para esclarecer alguns fatos. Sabe aquela frase: “Têm gente que valoriza só quando perde”, pois é, gostaria de deixar claro aqui, que esse NÃO é o motivo do meu blog, escrevo para não esquecer como ela era especial para mim, e porque ela era minha melhor amiga. Escrevo para deixar minhas lembranças para meu filho. Mesmo tendo aprontado muito, muito mesmo, minha mente não me perturba com nenhum arrependimento, nada específico, pois eu era criança e criança apronta mesmo, não é? Como dizia minha vovó Ester “essa menina puxou o pai, é terrível”.
Eu a valorizava quando ela estava viva e também continuo a lembrar de sua vida depois que ela se foi.  É só uma continuação, não um começo. Quando queria saber o que fazer, com algum problema ou com decisões, quem sempre me dava conselhos era minha mãe, meu pai quando tinha alguma opinião falava para ela, e ela vinha falar comigo. Coisa de pais da sua geração. Por incrível que pareça eu tentava ouvir todos os conselhos, nem sempre seguia o que eles falavam, mais levava em consideração. Minha mãe tinha um “sexto sentido”, ela conseguia antecipar algumas situações só com suas análises. Confiava no que ela sempre me dizia.  Foi assim que decide minha profissão e escolhi meu marido.
  Minha mãe sempre foi especial, ela foi para mim uma supermãe. Sei que a saudade ainda vai corroer meu coração. Que não vou conseguir segurar as lagrimas, quando lembrar do seu sorriso ou dela mostrando língua toda descontraída. Mais sei que isso vai ter um fim. Sei que vou poder toca-la novamente, beija-la e dizer  nos seus ouvidos, “mãe você nem imagina quanta falta eu senti de você”. Eu aguardo ansiosa a volta de Jesus.

domingo, 7 de outubro de 2012

SEU DIREITO DE IR VOTAR


Não poderia deixar passar essas eleições sem colocar uma postagem. Fiquei o dia todo pensando nos fatos e no que tinha acontecido naquela época, mais o que veio na mente foi só uma cena, que eu não poderia deixar para lá, preciso colocar aqui no blog, como registro.
Sempre falávamos para a mãe que ela não precisava votar, naquelas eleições, devido a sua saúde muito fragilizada. Mas ela era teimosa e não nos ouvia. Nesta época ela já estava com a barriga muito grande, e com câncer no estomago. Ela mal conseguia se locomover, era preciso alguém para segurá-la, suas pernas estavam muito inchadas e pesadas para ela carregar.  
Quando ela chegou à escola, os fiscais falaram que ela não precisaria votar. Mais quem disse que ela ouviu, ela sempre dizia que precisava ir votar, para o candidato que ela queria, poder ganhar, ela não tinha transferido seu titulo a toa. Caminhou com muita dificuldade até a urna votou e depois disse, com a voz engasgada, pelo cansaço físico, que o candidato dela iria ganhar.
Mesma ela andando com dificuldade, ela olhava pra você com aquele ar de sorriso que ela não permitia perder. Ela tentava dizer com suas expressões que ela estava bem, mais era visível seu quadro clinico.  Tão visível que ela nem chegou a votar no segundo turno, não deu tempo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

BOLO NO FORNO



Estava fazendo um bolo e minha mente não queria acompanhar o processo, que acabou sendo feito mecanicamente pelas minhas mãos.  Ela queria voltar no passado, quando eu e minha mãe resolvíamos dar uma de MESTRES-CUCAS.
- Mãe, vamos fazer um bolo?
 - Hum, do quê?
- Sei lá, pode ser de qualquer coisa, cenoura, aipim... Abóbora.
- ABÓBORA, ficaria gostoso.
- Mãe, estou brincando. Já comemos abobora no café da manhã, no almoço. Agora você também quer colocar no lanche da tarde? Não.
- Abóbora é tão gostoso, não sei porque você e seu pai fica implicando quando eu repito o cardápio.
- Será porque já estamos ficando laranja?
Com um sorriso nos lábios, minha mãe resolveu procurar a receita. Seria uma coisa fácil, para quem tem um caderninho onde marca tudo organizadinho. No caso dela, as receitas ficavam espalhadas, atrás de qualquer folha que ela achasse, então, procurar uma receita era procurar um tesouro escondido. Depois de muita busca, achamos uma receita de um bolo que não faço a menor ideia do que seria agora.
- Mãe a receita diz três ovos, e não dois.
- Não faz diferença. O bolo fica a mesma coisa.
- Ok.
- Pega o óleo pra mim.
- Esta aqui. A receita fala para colocar um copo.
- Coloca só metade.
- Mais mãe...
- Não faz diferença. Você quer ter colesterol, com todo esse óleo ai, ainda tem a gordura do ovo, do leite.
- Tá. Você esta falando.
-Pronto acho que foi tudo. Bichinho (era meu apelido, que só ela insistia em usá-lo) Agora acende o forno e coloca o bolo para assar por trinta minutos, depois você espeta o bolo com o garfo para ver sua textura.
- Não sei para quê a senhora usa a receita, pois coloca tudo de cabeça. Nada do que estava escrito aqui você fez. Nem o forno você ligou antes a 180°.
Ela olhou para mim com um sorriso e depois mostrou a língua. Essa era minha mãe, adorava ser diferente. Por isso que nem sempre suas receitas ficavam com o gosto original. Tinha sempre uma mudança, como dizia ela “uma melhora”. Em suas mãos tudo ficava mais saudável. Coisas de dona Marta.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O PROCESSO PARA ESCREVER A HISTÓRIA DA MÃE... PARA O LUCAS!




          Há exatamente um mês, postei que tinha resolvido escrever a história da minha mãe, para o Lucas poder conhecer quem foi sua avó. No inicio pensei que seria muito fácil colocar tudo no papel, era só juntar o que eu tenho e tudo estaria resolvido. Santa ingenuidade. É muito mais difícil do que parece. Precisa se dedicar de corpo e alma, para os textos saírem com um pouco de qualidade. É preciso dedicar horas e horas, para escrever, escrever e depois selecionar tudo e apagar. E assim começar tudo de novo. Fico lendo e relendo o texto para ver se é assim mesmo que tudo aconteceu. Se estou sendo verdadeira. Descobri que tenho uma dificuldade muito grande de falar dos erros que ela cometeu na vida, parece que quando coloco alguma coisa deste tipo estou desonrando sua memória. Por outro lado preciso colocar tudo no papel, expressar a verdadeira MARTA, não posso simplesmente apagar o que ela viveu. Não tenho esse direito.
       O processo é lento e demorado. Mais estamos tentando reunir tudo que esta a nosso alcance. Já conseguimos depoimentos de pessoas que conviveram com ela em fases diferente, da sua vida. Quando leio cada um deles eu não aguento e choro, é emocionante perceber que ela foi especial na vida de outra pessoa. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

MEMÓRIA DESORDENADA



<<<<Um flash de algum dia do meu passado, quando eu ainda era muito pequena, foi ativado na minha mente, não sei qual era minha idade, se chutasse agora provavelmente iria errar, só sei que era um dia de sol quente, como quase todos os dias do interior de Rondônia, estava na casa da minha prima Milheni, ela estava dançando com uma amiga, tomavam banho de piscina, não, acho que era de mangueira, não sei ao certo, tocava no radio uma música da Spice Girls, Yo, I'll say you what I want, what I really really want So tell me what you want, what you really really want I'll tell you what I want, what I really really want So tell me what you want, what you really really want I wanna, I wanna, I wanna, I wanna I wanna really really really wanna zig-a-zig, aho...” o papagaio resmungava alguma coisa junto com a música. Agora fiquei em dúvida se tinha papagaio nesta época ou foi em outra. Tudo acontecendo no fundo da casa da minha tia Maria. Eu estava sentada no banco feito entre duas colunas, era de madeira sem nenhuma pintura. Eu gostava de ver minha prima se divertir, era uma visão de uma criança, no caso eu, para uma adolescente, minha prima. Eram fases diferentes, mas que se ligavam quando momentos como esse existiam.>>>>>

Memórias é uma coisa louca, ela não é ordenada, nem totalmente confiável. Nosso cérebro vive fazendo associações e misturando fatos, cada ano que se passa suas memórias ganham nova cara, novo sabor.
Parece que o cérebro funciona como um fósforo, quando uma faísca é formada na lixa da caixinha a chama reluz, fica aceso por um tempo, se você não usá-la naquele momento de combustão, a chama irá se apagar. Assim você precisara pegar outro palito para riscar novamente, pois aquele já foi usado e não serve mais. 
Não sei se na sua mente as memórias funcionam deste jeito, mas na minha é muito parecido com esse exemplo acima. No momento que a memória foi ativada eu preciso parar e escrever, por que se não, eu a perco dentro de mim, e às vezes não adianta parar e ficar pensando, não funciona deste jeito, ela não é ativada quando simplesmente eu quero.  Uma coisa precisa ligar a outra.  

Memórias, minhas memórias... Meu passa tempo preferido.