sexta-feira, 19 de outubro de 2012

DUAS VERSÕES PARA UMA MESMA HISTÓRIA - PARTE 2

CONTINUAÇÃO (para entender melhor este post, é preciso ler o post anterior)...


"Dois bombeiros entraram no quarto, e ficou me olhando, eu ainda estava fazendo as massagens. Fiquei indignado e gritei com um deles, “vamos, me ajuda aqui”, ai um deles o mais esbelto começou a fazer a massagem, o outro parecia não estar na sua melhor forma física.  Perguntei para o que tinha ficado estagnado na porta, “cadê a maca?”, ele falou “ta lá na ambulância”. Pedi para ele ir correndo buscar, precisávamos transferir minha avó do chão para a maca e correr para o hospital. Antes de fazer, o que era sua obrigação, um dos bombeiros teve a coragem de falar na frente da minha mãe, e do meu irmão, do meu pai, e na minha que “A VIDA É ASSIM MESMO. SENHORA, A GENTE NASCE, CRESCE, REPRODUZ E MORRE”. Naquele momento percebi que eles não tinham compaixão com os sentimentos do próximo. Tinham mandado duas pessoas que não sabia de nada. Mais uma vez tive que gritar com esse também, falei para ele que eu não tinha perguntado nada, que era apenas para ele fazer a sua obrigação. Acrescentei, “corre na ambulância e pega a maca, que o resto não me interessa”, ele foi pegou a maca. Enquanto isso, o outro fazia a massagem. Colocamos a minha avó na maca e carregamos até a ambulância. Pedi para meu irmão entrar na ambulância, para ele ir junto, ele entrou e  eles foram com a sirene ligada. O bombeiro que já tinha começado a fazer a massagem continuou dentro do carro.
Corri dentro de casa, peguei meu celular, meus documentos e fui atrás de moto rumo ao hospital.  Tudo isso deve ter durado uns 15 a 20 minutos. Chegamos praticamente juntos. Colocaram minha avó na sala de emergência, e não deixaram a gente entrar. Depois de uns 10 minutos, alguns familiares já tinham se reunido no hospital.
Foi nesta hora que recebemos a pior noticia que ninguém gostaria de receber, que Francisca de Souza Miranda tinha falecido. O mundo desabou, o choro aumentou. Lembro perfeitamente que eu liguei nesse momento para minha tia Marta, em campinas. Falei "tia!", nesse momento senti que ela já estava chorando. Um dos meus tios já tinha ligado para dar a noticia, e ela me perguntou, “é verdade, morreu mesmo?” falei que sim...
Nesse momento pediram para eu ir à funerária, resolver sobre o caixão, mas eu estava em choque. Meu tio Silvano se propôs a ir.
Tivemos acesso pela parte do fundo do hospital a uma sala onde ficam as pessoas mortas, em cima de uma pedra gelada. Estava lá minha avó, já sem vida. Novamente o desespero tomou conta. Estava junto comigo nesse momento, minha tia Lucia, tia Preta, minha mãe, acho que tinha mais gente, mas não me lembro. Todos estavam chorando.
Quando o carro da funerária chegou, eles a pegaram e levaram. Depois de algumas horas, levaram o corpo da minha avó para a igreja adventista do sétimo dia, do Jorge Teixeira, onde foi o velório".



Continua.................................................................. Amanhã.


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