segunda-feira, 15 de outubro de 2012

FOI DIFÍCIL PROCESSAR O QUE ACONTECEU NO DIA 15/10/10.



Outubro não é um mês muito legal pra mim, sempre tento não ficar pensando no assunto mais não consigo. Quando o calendário marca o primeiro dia do mês, é inevitável não ficar remoendo todas aquelas situações que já relatei aqui, sobre o falecimento da minha mãe. O que eu não contei foi como o velório aconteceu, não contei porque até hoje não entendo porque reagi daquela forma. Mais agora acho que estou pronta para falar sobre o assunto.
Minha mãe foi velada no cemitério parque das flores, chegamos ao local antes do corpo, ainda estávamos fazendo ligações para avisar os amigos e familiares. Quando ela chegou, lembro-me de ficar sentada no banco olhando para o caixão de longe. Nesta hora quem estava lá era o casal que sempre nos ajudava Teresa e José Antonio, meu pai, tia Izabel e o Diogo. Eu tirei uma foto com o celular do caixão (os críticos de plantão deve estar me julgando neste momento, espere um pouco, porque têm mais), eu tenho essa foto até hoje, não vou coloca-la aqui, ainda não estou preparada para publicá-la, eu tirei a foto porque nós sempre registrávamos cada processo da evolução da doença. Ela sempre pedia para a gente registrar tudo, para quando ela estivesse curada pudesse mostrar as obras e milagres que Deus tinha operado na sua vida.
Eu guardei, e guardo até hoje esta foto, não mostrei para ninguém, o Diogo descobriu um tempo depois, quando estava olhando as fotos do meu celular, ele ficou bravo comigo, por ter tirado a foto, mais acredito que no fundo ele entendeu.
A minha mente naquele dia não conseguiu processar rápido a magnitude dos acontecimentos, eu sabia que ela tinha morrido e que não iria vê-la, mais a sensação era diferente, não era de perda. Ver aquele tanto de gente junto parecia que era uma visita, e que minha mãe estava dormindo, só dormindo.  Todo sábado ela recebia muitas visitas de pessoas queridas. Misturei na mente os fatos. Acredito que não tinha aceitado sua morte e como mecanismo de defesa eu fiz essa bagunça na mente.
Lagrimas escorreram no meu rosto no seu velório, mais não foi tudo o que estava guardado. Lembro-me de ter dando atenção para os amigos e falando dela como se nada tivesse acontecido.
Encostei algumas vezes no caixão para vê-la, tocava seu rosto, seu cabelo. Eu vi aquelas porção de terra sendo jogada em cima dela e mesmo assim a ficha não caiu. Seu velório foi na sexta e eu só fui processar tudo na segunda, no meu serviço, entrei em um mine cômodo, onde guardávamos as nossas coisas e lá eu desabei, chorei, chorei muito, acho que desabei, coloquei o que estava segurando, o que estava sendo trancado dentro de mim.  A Patrícia, uma das funcionárias, me achou e tentou me consolar. Passei a tarde toda chorando, a Angélica outra funcionária me ofereceu lencinhos para enxugar as lágrimas.  
Depois de ter entendido como seria os meus dias depois daquela sexta feira, ficou mais difícil segurar as lagrimas, fica difícil até hoje.  Já se passaram 730 dias sem a minha amiga, sem a minha mãe. 

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