quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MEDO



Como era bom ser criança. Meus pais me perguntavam: “O que você vai ser quando crescer?”, era tão fácil responder. “Vou ser médica ou professora”, nem imaginava o que teria que passar para ser uma das duas opções. A resposta vinha da ingenuidade, dos sonhos, do mundo da fantasia. Esse sim era um mundo perfeito. Éramos o que queríamos. Podíamos mudar nossas escolhas sem problema. Era fácil. A dor que às vezes inventávamos era de um prego ter nos furado, de pegarmos catapora ou caxumba. 
Se mantivéssemos essa alma de criança... Viveríamos mais e melhor. Precisamos rir, quando uma água sai da torneira, quando o vento levanta uma folha e a faz ter assas. Quando ouvimos uma música bonita. Quando conseguimos encontrar com nossos olhos, mesmo de longe, uma pessoa querida.  Precisamos esquecer a dor de um tombo, quando se mostra algo novo.
A vida de adulto é sem graça. É possível palpar o medo que os domina. Medo de tudo dar errado, medo de ser um idoso frustrado. Medo de não suprir as necessidades da sua família. Medo não ter tempo para fazer tudo o que seu coração deseja. Medo do amanhã.
Eu trocaria todos esses medos de adulto pelos medos das crianças. Prefiro ter medo do escuro ou de um boneco na parede. Pois quando o dia raia, a escuridão e os medos se vão. 

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