sábado, 23 de março de 2013

FOLHAS DE OUTONO



Ao ver as folhas caindo no chão, percebo que o tempo passou. Minhas memórias vêm à tona liberado pelo gatilho do outono. Sua voz ecoa pelo vento. Ainda consigo ver seus pés pisarem em cima das folhas secas. O vento balançar sua roupa e os pequenos pelos do seu braço arrepiar.
Sinto você caminhando do meu lado, consigo sair desta orbita e sentir você de novo. A multidão que me rodeia não tem nenhum significado, seu vulto e seus cabelos pretos balançando é o que me interessa. Preciso ouvir seus conselhos.
Caminhos que traçamos juntos são lembranças que se ativam na minha mente,  e por alguns instantes você volta para perto de mim. Consigo ouvir sua voz sussurrar nos meus ouvidos. E quando eu percebo estou falando em voz alta no meio da treze de maio.
Não consigo chorar, paro e solto um sorriso. Você sempre vai estar comigo, pois eu sou parte de você. As transformações ocorreram, entretanto meu amor por você será eterno. Ninguém, jamais poderá tomar o seu lugar no meu coração. Pode tentar de várias formas te imitarem, mas nunca conseguiriam chegar a excelência de um original.
Quando as fotos desbotarem e eu não conseguir mais se lembrar dos fatos, o outono se encarregara de te trazer você de volta para perto de mim. Fará-me lembrar que as estações passam, assim como a vida, e cada estação tem sua característica peculiar. No outono você vem com as folhas e o vento, no inverno com o frio, na primavera com o florescer das plantas, e no verão com o sol escaldante. Você sempre é lembrada, os pontos de gatilhos são diversos. Estarei sempre conectada com você.  Porque pra mim você sempre sera eterna, mãe, até meu último suspiro. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

ENFRENTANDO OS LEÕES



Tem fase da vida que você não entende os PORQUÊS, tudo parece nebuloso e complicado de mais. Com o passar dos anos você percebe que tudo não deixava de ser pequenas pedras encontradas no decorrer do percurso.
O medo vem me atormentado faz muito tempo, a cada dia que eu o alimentava ele crescia, tomou proporção tão grande que eu me via dentro da selva africana  rodeada de leões por todo lado. Construí uma barreira em volta deste medo. Ficava observando de longe todo o desenvolvimento dos leões, desde a concepção até virarem os reis da selva. Minha função, no meio de tantos leões era só observar. E a cada dia ficar com mais medo, medo de ser a próximo refeição.
Passaram-se anos e os leões se multiplicaram, minhas muralhas começaram a criar buracos, era possível ver o avanço dos leões, eles me queriam como alimento. Sem saber o que fazer, presa no meio de uma enorme floresta, foi preciso criar coragem e enfrenta-los, não teria muito tempo de proteção dentro da minha zona de conforto.
Com a ideia pronta dentro da mente, criei coragem e derrubei as muralhas. Pronto, estava exposta ao perigo.
Alguns deles tomaram atitudes ofensivas, outros fingiram nem notar minha existência. Comecei a caminhar no meio deles, fingir que não estava com medo, que minhas pernas não tremia, que meu suor era só pelo fato do calor.  Não foi preciso muitos passos, para sentir uma forte pressão na perna, e uma substância melosa e gosmenta envolver minha pele. Eu tinha sido atacada. Meu medo tinha me privado deste acontecimento. Depois de sentir a dor de ter sido agredida, percebi que não saiu sangue. O leão era banguela. Fiquei tanto tempo observando e não percebi o essencial, eles não me triturariam.  Eu só precisava andar com passos acelerados. Precisava ficar atendo a futuros ataques, pois se todos viessem ao mesmo tempo poderiam me pisotear e quebrar meus ossos. Precisava tomar atitude. O medo tinha  me impedido de viver melhor.   Tanto tempo observando sem eficiência, a pratica foi quem revelou todo o mistério.
Com todo esse medo, tenho uma coisa para dizer para vocês, É PRECISO ENFRENTAR OS LEÕES, O MEDO PODE TE IMPEDIR DE DESCOBRIR QUE ELES ERAM BANGUELAS.
 Não deixem as jubas e sua aparência ofensiva te impedirem de avançar dentro da selva. Quem sabe você não encontra um lugar para viver perto dos passarinhos.