segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PASSEIO MAIS PACÍFICO QUE TIVEMOS – SQN


Primos, vamos para o shopping Dom Pedro? E grande e bonito. Vocês irão gostar! Nós vamos de ônibus, tudo bem?
- Blz, prima. Partiu shopping. - brincou meu primo Hellrisson.
Depois de esperar um cadinho o ônibus perto de casa, chegamos ao terminal. Corremos para pegar o ônibus que estava tão lotado que não cabia uma agulha. Resolvemos esperar o outro, assim poderíamos ir sentados conversando tranquilamente. 
- Vamos, é esse. - falei andando em direção à porta.
Entramos no ônibus e sentamos nos últimos bancos. Tudo muito tranquilo. O motorista liga o motor do ônibus, aparece na porta traseira, vários jovens, quando penso que já tinha entrado todos, aparecem mais uma leva deles. 
- Olhei para o tio e primos e falei “hoje o shopping vai estar cheio”.
O ônibus saiu em direção ao shopping Dom Pedro. Antes de chegar ao extra, começou várias conversas e risos altos. 
Olhei para o meu primo e com um sorriso no rosto falei...
- Bem-vindo a periferia.
Ele riu.
O que nós não imaginávamos era que as conversas e risos eram o começo. 
O ônibus foi progredindo e a cada ponto entrava mais gente, os 'meninos' que estavam na frente começaram a se irritar com o motorista. A partir deste momento começaram as palavras de calão "amigáveis", dirigida ao motorista mega calmo que nos levava até o nosso destino. 
A coisa já tinha passado dos limites. Um dos 'rapazes' que estava perto da gente falou para seu amigo.
- Acenderam um béque, mano! Tomara que passe pra nós.
Uma garota grita de perto da porta traseira.
- Têm criança no ônibus.
Nesta hora já tinha ficado com a maior vergonha do universo, pois no primeiro dia que saímos para conhecer a cidade encontramos um leva de seres sem respeito ao próximo, mal educados e cheios de marra. Imagina os sustos que meus primos tiveram, já não estavam acostumados a pegar ônibus, muito menos lotados, e com animais dentro, já era de mais.
O seres animalescos não se contentaram em só xingar e fumarem maconha, começaram a puxar a alavanca de emergência da janela. 
Nesta hora comecei a ficar com medo. Pois estava presa dentro de uma lata com um monte de gente sem noção nenhuma. 
Enquanto um puxava a alavanca outros empurravam a janela. O lacre começou a romper, fomos salvos pelo ponto. Um deles tinha dado o sinal, e era hora deles descerem. 
- Só bucha. - meu primo falou.
- Bando de traficantezinho - um menino lá da frente falou. 
- Até que fim desceu. - outra pessoa lá na frente soltou.
Depois do susto, continuamos a viajem. 
Andando no shopping meu tio se encantado com o tamanho, me perguntou, quantos metros quadrados tem o shopping?
-VIXI tio, não sei, não, mas é bastante. 
- Ah deve ter uns 6 metros quadrados aqui - solta o Juninho.
Começamos a rir descontroladamente, quantos metros quadrado júnior? Ele repete. Mais risada. 
Na volta, olhei para a fila que estava crescendo e falei.
- Quanto saírem sozinhos por aí e tiverem perdidos, é só procurar a fila maior que vocês já estarão no caminho certo. 
Eles olharam para os outros pontos e riram, pois era verdade.
Em um dos pontos ouvimos vozes familiares e risadas de meninas. Eram eles, os mesmos jovens da ida. Para o descontentamento do povo que já estava no ônibus.
Com barulho, risadas altas e gritos. Xingando até a mãe. Eles entraram.
De repente a gente ouve.
- SE VOCÊ TOCAR NO MEU CABELO DE NOVO, EU ARREBENTO VOCÊ. - Fala uma senhora que ficou presa na muvuca.
Eles gritaram juntos.
- uuuuuuuuiiiiiiiii
Um deles falou.
- Vamos para o fundo.
Uma senhora que estava ao meu lado baixou a cabeça e disse baixinho.
- No fundo não, pelo amor de Deus. 
Desta vez não teve béque, eles desceram em uma festa de rua, no meio do caminho. 
No terminal em conversa vai, conversa vem, o júnior de novo solta uma pérola que tira toda nossa tensão.
- O homem mais alto do mundo tem 5 metros de altura.
Depois desta, garantimos as gargalhadas sem parar até em casa.


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