sábado, 31 de maio de 2014

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE...


Estava aqui pensando nesta frase que falamos no casamento, como forma de compromisso, nós juramos amar até que a morte nos separe, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... Enquanto viver. 
Sepultar qualquer pessoa querida é muito doloroso. Em um casamento, o cônjuge e os filhos têm formas diferentes de passar pelo luto. A psicologia fala que existem cinco fases fundamentais dentro do luto, sendo elas a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Não tem um tempo estipulado para cada fase, muitas vezes, tem pessoas que nunca chega à fase da aceitação, e outras conseguem superar com rapidez¹. 
“Cada pessoa encontra um canto particular para o seu choro e, aos poucos, o coração para de sangrar. No entanto sempre restam feridas”.²
Para os filhos as feridas são diferentes, esses sofrem por saberem que NUNCA mais, terão um pai ou uma mãe, pois não conseguem transferir o sentimento de amor pela mãe ou pai, para outra pessoa. Já o cônjuge vivo, depois de passado a fase do luto, rápido ou demoradamente, um novo amor pode ressurgir, muitas vezes ressurgi.
Como filho, você acredita que para seu pai/mãe, também funcionara assim, nunca terá outra mulher/homem, pois você observava o amor cúmplice, intenso e inspirador que seus pais tinham.  Você acredita que vai durar para sempre. 
Bobagem pensar assim “benzinho”, pois na maioria das vezes o luto passa para seu pai ou sua mãe e eles voltam a viver a vida com uma nova pessoa. Doloroso de aceitar logo de cara, sim, é muito. Ainda mais, se você ainda estiver na fase da negação ou da raiva. Imagina o dilema e misturas de sentimentos.
É claro que o coração dos filhos começa um processo de "tentar" aceitar as decisões que seu pai ou mãe esta tomando, difícil, pois sua mente esta programada para ver seu pai e mãe juntos, para vê-los felizes até ficarem velhinhos e morrerem de mãos dadas, exalando amor para todos os lados. 
Com a ausência de um deles, tudo já começa a ficar preto e branco, depois com a inclusão de outra pessoa no lugar "sagrado", se assim posso dizer, da sua mãe ou pai, fica muitas vezes insuportável de aceitar logo de cara.
O interessante é encontrar pessoas que acha que é seu dever aceitar sem falar um a. Como se sua mente já estivesse preparada para tantas mudanças. 
O processo deve ser lento, dar tempo ao tempo. Pois é só ele, o tempo, que consegue mostrar luz no final do túnel.  
Mesmo com tanta ressalva, a vida ensina que “não existe só uma metade da laranja. Para o ser humano são várias as possibilidades de encontro, de completude”². 
Para quem fica o certo mesmo é viver, e se para isso precise de uma nova pessoa, que seja. Isso é o sinal que a pessoa cumpriu com suas obrigações de cônjuge, até que a morte os separe, agora a carta de alforria foi dada. E a pessoa (pai ou mãe), tem o direito de ser feliz. 

OBS: objetivo para o futuro, mudar esses votos e colocar no lugar de até que a morte nos separe, assim, para toda a eternidade. Aí eu quero ver. Risos.


_______________
¹http://www.psicologiafree.com/curiosidades/luto-5-fases-fundamentais/#
²FREIRE, Ana Maria Araújo. Nós dois. São Paulo: Paz e Terra, 2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário